Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada (IPCR)

Uma Palavra de Boas-Vindas
Irmão em Cristo,

É com imensa alegria e gratidão a Deus que recebemos você como membro oficial da Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada. Este não é um passo formal, mas um marco espiritual significativo, o ingresso em uma família pactuante, unida pelo sangue de Cristo e por uma confissão comum de fé. Ao ler este documento, você está segurando mais do que um simples manual; está segurando uma declaração de quem somos, no que cremos e como nos esforçamos para viver como comunidade de Cristo. Estas páginas foram preparadas com amor e cuidado para que você compreenda profundamente o terreno sagrado sobre o qual esta igreja está edificada: a Rocha inabalável das Escrituras e o legado fiel dos santos que nos precederam.

Aqui, você encontrará não um conjunto de regras áridas, mas os contornos de uma comunidade viva, que busca glorificar a Deus em todas as coisas. Você descobrirá uma família que valoriza a doutrina sólida, o culto reverente, a vida piedosa e o cuidado mútuo. Você foi recebido(a) por uma igreja que ora por você, que se importa com o seu crescimento em graça e que caminhará ao seu lado, encorajando-o(a) e exortando-o(a) em amor.

Este é o seu novo lar espiritual. Um lugar para servir e ser servido. Um lugar para aprender e para ensinar. Um lugar para chorar e para celebrar. Acima de tudo, um lugar para encontrarmos juntos a Cristo, semana após semana, e sermos transformados à Sua imagem.

Que o Senhor abençoe ricamente sua vida nesta jornada entre nós. Que você se sinta profundamente enraizado(a) no amor de Deus e na comunhão dos santos. E que, juntos, possamos prosseguir em fidelidade, até que nosso Rei volte ou nos chame para Si.

Seja extremamente bem-vindo(a) à família!

Com amor em Cristo,

O Conselho de Presbíteros

Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada

 

Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada:

Quem Somos e O que cremos

 

1. Quem Somos

A Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada – IPCR, é uma comunidade de crentes fundamentada nas Escrituras Sagradas como nossa única regra de fé e prática. Somos uma igreja com uma forte ênfase na teologia reformada e pactuante, seguindo o modelo de governo presbiteriano e aderindo aos princípios da Reforma. Nossa fé e prática estão intimamente ligadas à tradição reformada e à doutrina da aliança, que nos ensina a viver em conformidade com os pactos de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

 

Somos Confessionais

 

Não nos guiamos por modismos ou opiniões humanas, mas pelas verdades reveladas na Escritura e confessadas historicamente pela Igreja Reformada. Aderimos às Confissões de Fé históricas (especialmente os Padrões de Westminster, de 1647), que expressam de forma clara e bíblica aquilo que a Igreja sempre creu. Ser confessional significa andar “na mesma fé” com os santos de todas as eras, unidos em torno da verdade do evangelho.

Somos Reformados

 

Nossa identidade está enraizada na Reforma Protestante do século XVI, quando homens como Lutero, Calvino e Knox restauraram o evangelho da graça e a centralidade da Escritura. Herdamos especialmente a tradição escocesa Covenanter (Pactuantes), que defenderam com as próprias vidas que Cristo é o único Rei e Cabeça da Igreja e da Nação. Ser reformado significa viver sob o lema da Reforma:

  • Sola Scriptura – somente a Escritura;
  • Sola Fide – somente a fé;
  • Sola Gratia – somente a graça;
  • Solus Christus – somente Cristo;
  • Soli Deo Gloria – somente a Deus a glória.

Somos Aliancistas

 

Entendemos a vida cristã a partir da Aliança da Graça, revelada desde o Éden, cumprida em Cristo e aplicada a nós hoje. Isso significa que não somos apenas indivíduos crentes isolados, mas membros de uma comunidade pactual que caminha junta, em fidelidade ao Deus que fez conosco uma aliança eterna. O batismo dos nossos filhos é sinal de que Deus inclui famílias em Sua aliança, e a Ceia do Senhor é o banquete em que renovamos essa comunhão com Cristo.

Somos Presbiterianos

 

Nossa forma de governo segue o modelo apostólico e bíblico: a Igreja é conduzida por presbíteros (anciãos), homens chamados e ordenados por Deus e reconhecidos pela congregação. Há dois tipos de presbíteros:

  • Docentes: chamados para pregar e ensinar a Palavra.
  • Regentes: chamados para governar e zelar pelo rebanho.

Ambos governam juntos, em conselho, de modo representativo e colegiado, refletindo o princípio de que Cristo governa sua Igreja por meio de servos escolhidos, e não por decisões individuais ou imposições humanas.

Somos Presbiterianos Reformados (Covenantes – Pactuantes)

Não usamos o termo “presbiteriano” de modo genérico. Muitos que hoje se chamam presbiterianos já se afastaram das antigas veredas, da confissão reformada e do princípio regulador do culto. Nós, porém, somos presbiterianos reformados confessionais. Isso significa que:

  • Mantemos firme a herança dos Covenanters escoceses, que juraram defender a coroa de Cristo sobre a Igreja e a Nação.
  • Honramos as Confissões Reformadas (Escocesas de 1560 e 1581, Livros de Disciplina da Igreja da Escócia de 1560-1578, Pacto Nacional de 1638, Liga Solene de 1643 e os Padrões de Westminster de 1647).
  • Rejeitamos tanto o liberalismo teológico quanto o pragmatismo moderno, que diluem a fé e corrompem a adoração.
  • Buscamos viver como uma igreja santa, separada e fiel, que não abre mão do governo presbiteriano, do culto regulado pela Palavra e da aplicação do pacto da graça em toda a vida.

O que Subscrevemos

 

Símbolos de Fé Históricos

 

Nós subscrevemos, como herdeiros da tradição reformada escocesa e dos Covenanters:

  • Confissão de Fé Escocesa (1560 e 1581).
  • Primeiro e Segundo Livro de Disciplina da Igreja da Escócia.
  • Pacto Nacional (1638).
  • Liga Solene e Pactual (1643).
  • Padrões de Westminster originais de 1647, que incluem:
    • Confissão de Fé de Westminster.
    • Catecismo Maior.
    • Breve Catecismo.
    • Forma de Governo da Igreja Presbiteriana.
    • Diretório de Culto Público.
    • Diretório de Culto Familiar.
    • A Suma do Conhecimento Salvífico.
    • O Saltério (para o cântico exclusivo dos salmos).

Esses documentos expressam de forma clara, bíblica e histórica a fé da Igreja Presbiteriana Reformada. Eles não substituem a Escritura, mas são sua fiel exposição.

Doutrinas Centrais

 

Nosso ensino, culto e vida eclesiástica se fundamentam em convicções específicas:

  • Epistemologia: Revelação proposicional – a Bíblia é a Palavra infalível de Deus.
  • Soteriologia: Calvinista (os Cinco Pontos do Calvinismo).
  • Escatologia: Pós-milenista historicista – o Reino de Cristo avança na história até a consumação.
  • Hermenêutica: Aliancista (pactual) e historicista.
  • Eclesiologia: Princípio Regulador do Culto – só adoramos como Deus ordena.
  • Sacramentos:
    • Batismo por aspersão, incluindo infantes de crentes, como sinal da aliança.
    • Ceia com a presença espiritual de Cristo.
  • Dons: Cessacionistas não, Providencialistas sim – cremos que os dons extraordinários cessaram, mas o Espírito continua agindo. Dons: Providencialistas – cremos que os dons extraordinários cessaram, mas o Espírito continua agindo. Nossa posição quanto aos dons espirituais é melhor definida como Providencialista, um termo que vai além do mero “cessacionismo” e encapsula uma visão mais abrangente e soberana da atuação do Espírito Santo na história da Igreja. Acreditamos que os dons espirituais são manifestados pela Providência Divina e que são benção para a Igreja Fiel dentro de uma ortodoxia Pactuada.

A Distinção Fundamental: Dons Extraordinários x Providência Ordinária

 

A essência do providencialismo reside na compreensão de que Deus é o soberano protagonista de toda a história. Ele age providencialmente, governando todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade (Ef 1:11). Nesta visão, os chamados “dons extraordinários” (como os ofícios de apóstolo, profeta e evangelista, e os sinais miraculosos que os autenticavam) não eram habilidades permanentes concedidas a indivíduos, mas atos soberanos e pontuais da graça divina para um fim específico: o estabelecimento do fundamento da Igreja (Ef 2:20).

Os dons de cura e milagres, portanto, não eram “possessões” que um crente controlava, mas manifestações temporárias e situacionais do poder de Deus, operadas quando, como e em quem Ele quisesse, para autenticar a mensagem apostólica do Novo Testamento (Hb 2:3-4). Essas manifestações não cessaram no sentido de que Deus não pode mais realizá-las; pelo contrário, elas deixaram de ser necessárias como meio normativo de revelação, uma vez que o cânon das Escrituras foi fechado. Deus continua a agir curadora e miraculosamente hoje por Sua providência soberana, não através de um “dom de cura” delegado a homens.

O dom de línguas, conforme registrado no Novo Testamento, refere-se sempre à capacidade milagrosa de falar idiomas humanos reais e existentes (Atos 2:4-11) para a propagação do evangelho. As “línguas ininteligíveis” ou glossolalia extática, comuns em movimentos carismáticos modernos, não possuem base bíblica. O verdadeiro “dom de idiomas”, no sentido de uma habilidade sobrenatural para pregar o evangelho em uma língua não aprendida, permanece como uma possibilidade à disposição da soberana vontade de Deus para ser usada providentialmente conforme Sua necessidade missional, mas não é uma experiência normativa ou controlável para a Igreja.

A Cessação dos Ofícios Extraordinários e a Continuidade da Revelação Edificadora

 

Nossa confissão está alinhada com os padrões históricos da Igreja Reformada da Escócia, que afirmam claramente a cessação dos ofícios extraordinários:

Conforme declarado no Segundo Livro de Disciplina (1578), ratificado pela Igreja da Escócia: “Algumas dessas funções eclesiásticas são ordinárias, e algumas são extraordinárias ou temporárias. Existem três funções extraordinárias: o ofício do apóstolo, do evangelista, e o de profeta, que não são perpétuos, e agora cessaram na Igreja de Deus na Escócia, ‘exceto’[1] quando Deus extraordinariamente se agradar em os persuadir novamente por um tempo.”

A Forma de Governo da Igreja Presbiteriana, proveniente dos Padrões de Westminster, igualmente afirma: “Dos oficiais que Cristo designou para a edificação de sua igreja, e perfeição dos santos, alguns são extraordinários, como os apóstolos, evangelistas, e profetas, que já cessaram. Outros são regulares e perpétuos, como pastores, mestres, e outros líderes da igreja, e os diáconos.”

Isso significa que a Revelação Especial fundacional – aquela que comunica os fundamentos da fé e da doutrina redentiva – está completa e finalizada nas Sagradas Escrituras. Não esperamos novas doutrinas ou mandamentos.

No entanto, isso não implica em uma cessação total da comunicação divina. O Espírito Santo continua a agir poderosamente, iluminando o entendimento dos crentes para aplicarem a Verdade das Escrituras às suas vidas particulares e contextos específicos (Jo 16:13), convencendo-os do pecado, e confortando-os em suas aflições. Esta é uma obra contínua de revelação edificadora (não fundacional), conduzindo a Igreja a uma compreensão cada vez mais profunda e uma aplicação mais fiel da Palavra já revelada.

Conclusão: Soberania Divina e Meios Ordinários

Portanto, ser Providencialista é:

  1. Afirmar a soberania absoluta de Deus, que age quando e como Lhe apraz, sem estar limitado a dons permanentes em indivíduos.
  2. Crer que os meios extraordinários (milagres, línguas, profecias de fundação) cumpriram seu propósito na era apostólica e não são a norma para hoje.
  3. Concentrar-se nos meios ordinários de graça que Deus prometeu abençoar perpetuamente: a pregação fiel da Palavra, a administração correta dos sacramentos e a oração fervorosa.
  4. Manter-se aberto à soberania de Deus, reconhecendo que Ele, em Sua liberdade e para Seus propósitos missológicos ou de misericórdia, pode, se Lhe aprouver, intervir de forma extraordinária em qualquer momento, sem que isso reinicie uma era de dons contínuos ou ofícios extraordinários.

Em resumo, cremos que o Espírito Santo age poderosamente hoje, não através de dons espetaculares controlados por homens, mas através da aplicação soberana da Palavra de Cristo aos corações, pelo convencimento de pecado, pela regeneração dos eleitos e pela santificação contínua do Seu povo, tudo para a glória de Deus Pai.

  • Ética: Lei moral de Deus como norma para a vida cristã.
  • Política: Establishment Principle – Cristo é Rei não apenas da Igreja, mas de todas as nações; o Estado deve reconhecer a lei de Deus.
  • Apologética: Pressuposicionalismo-Escrituralista.

Em resumo, a IPCR é uma igreja confessional, reformada, pactuante e presbiteriana. Isso significa que nossa identidade está ancorada na Escritura, moldada pela Reforma, marcada pela Aliança da Graça e guiada por um governo bíblico, tendo Cristo como único Cabeça e Rei da Igreja.

2. De Onde Viemos

História Bíblica

A nossa identidade como igreja presbiteriana não é fruto de invenção humana, mas tem raízes profundas na própria Escritura.

  • No Antigo Testamento, desde Moisés, o povo de Deus era governado por anciãos (presbíteros), homens reconhecidos pela comunidade por sua piedade e sabedoria. Quando Moisés recebeu a ordem de liderar Israel, Deus o instruiu a reunir os anciãos (Êx 3.16), e mais tarde estabeleceu um conselho de setenta homens para auxiliá-lo no governo (Nm 11.16–17).
  • Ao longo da história de Israel, esse princípio de liderança representativa foi preservado. Até mesmo nas sinagogas do período de Cristo havia um conselho de anciãos responsável pela instrução e disciplina
  • No Novo Testamento, os apóstolos continuaram esse modelo: cada igreja era governada por presbíteros (At 14.23; Tt 1.5), e não por uma figura única. O governo era sempre colegiado, refletindo que Cristo é o único Cabeça da Igreja, e seus ministros são apenas servos.

Esse padrão bíblico mostra que o presbiterianismo não é apenas uma forma de governo, mas um princípio de fidelidade: Cristo governa sua Igreja por meio da Palavra e de representantes escolhidos, não pela vontade de um único homem.

História Reformada

 

Na Reforma do século XVI, Deus levantou homens como João Calvino em Genebra e João Knox na Escócia.

  • Calvino enfatizou a soberania de Deus, a suficiência da Escritura e o governo por presbíteros como expressão da ordem bíblica.
  • Knox, discípulo de Calvino, levou essa visão à Escócia, onde ela tomou forma em uma igreja nacional presbiteriana. A partir dali, floresceu a tradição reformada escocesa, profundamente bíblica, confessional e comprometida com o culto regulado pela Palavra.

Esses homens nos lembram que ser reformado não é apenas uma questão de doutrina, mas também de vida: toda a Igreja deve ser reformada pela Escritura, em todas as áreas.

Os Covenanters (séc. XVII)

No século XVII, essa herança bíblica e reformada foi posta à prova na Escócia. Os reis da dinastia Stuart afirmavam ter direito divino sobre a Igreja, tentando impor sobre os presbiterianos um culto e um governo episcopal (por bispos). Mas o povo de Deus resistiu.

  • Em 1638, os escoceses assinaram o Pacto Nacional, reafirmando que somente Cristo é o Cabeça da Igreja.
  • Em 1643, firmaram a Liga Solene e Pactual, unindo-se à Inglaterra e à Irlanda na defesa da fé reformada

Essa fidelidade custou caro: muitos covenanters foram presos, exilados e até mortos. Eles se reuniam às escondidas, em campos e cavernas, para adorar a Deus conforme a Escritura. O sangue dos covenanters derramado na Escócia se tornou semente para as futuras gerações da Igreja. Seu legado ecoa até hoje: não há rei, papa ou estado que possa usurpar a coroa de Cristo sobre sua Igreja.

Nossa Origem

Nós, como Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada, somos herdeiros diretos dessa história:

  • Da Igreja apostólica, recebemos o modelo de governo por presbíteros e a centralidade da Palavra.
  • Da Reforma, herdamos a redescoberta da graça de Deus e da autoridade exclusiva da Escritura.
  • Dos Covenanters, herdamos a fidelidade inegociável de que Cristo é o único Rei e Cabeça da Igreja.

No Brasil, nossa missão é a mesma: plantar igrejas fiéis, que permaneçam ancoradas na Escritura, guiadas pelos símbolos reformados e dispostas a sofrer, se necessário, para não trair a coroa de Cristo.

Em    resumo: Nossa história vem da Palavra, floresceu na Reforma e foi regada com o sangue dos covenanters. Hoje, seguimos essa mesma linha bíblica, reformada, pactuante e confessional, buscando glorificar a Deus com fidelidade em solo brasileiro.

 

3. Nossas Crenças

 

A Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada (IPCR) subscreve os Padrões de Westminster (1647) em sua forma original, como fiel exposição da Palavra de Deus. Também reconhecemos e honramos a herança pactual escocesa (Confissões de 1560 e 1581, Pacto Nacional de 1638 e Liga Solene de 1643), pois entendemos que esses documentos preservam a fé histórica da Igreja de Cristo.

Em resumo, nossas convicções podem ser expressas assim:

A Escritura

 

  • Cremos que a Bíblia Sagrada, Antigo e Novo Testamento, é a Palavra de Deus, inspirada, inerrante e infalível (2Tm 3.16–17; 2Pe 1.20–21).
  • Ela é revelação proposicional, ou seja, Deus nos fala de maneira clara, objetiva e suficiente. Não dependemos de revelações místicas ou tradições humanas.
  • A Escritura é nossa única regra de fé e prática (Sl 119.105), diante da qual todas as coisas devem ser julgadas.

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.” (Mt 24.35)

Deus

 

  • Cremos em um só Deus em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, iguais em poder e glória (Dt 6.4; Mt 28.19).
  • Esse Deus é o Criador soberano, sustentador e Governador de todas as coisas.
  • Sua santidade, justiça e graça se revelam plenamente na redenção realizada em Cristo.

Cristo

 

  • Cremos que Jesus Cristo é o único Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5), o Salvador suficiente e perfeito.
  • Sua obra inclui sua encarnação verdadeira, vida sem pecado, morte substitutiva, ressurreição corporal, ascensão e reinado à direita do Pai.
  • Na Ceia do Senhor, Cristo está presente espiritualmente (1Co 10.16): não há transubstanciação nem consubstanciação, mas verdadeira comunhão espiritual com o Cristo vivo.

A Salvação

 

  • Nossa soteriologia é calvinista, afirmando a soberania absoluta da graça de Deus:
    • Depravação Total – o homem, em Adão, está morto em delitos e pecados (Rm 3.10–12).
    • Eleição Incondicional – Deus escolheu seu povo antes da fundação do mundo (Ef 1.4–5).
    • Expiação Limitada – Cristo morreu eficazmente pelos eleitos (Jo 10.14–15).
    • Graça Irresistível – o Espírito Santo aplica eficazmente a salvação (Jo 6.37,44).
    • Perseverança dos Santos – os verdadeiros crentes são guardados até o fim (Jo 10.28).

Assim, cremos que a salvação é pela graça somente, mediante a fé somente, em Cristo somente (Ef 2.8–9).

A Igreja

 

  • A Igreja é o corpo de Cristo e a manifestação visível do seu Reino na terra.
  • Seu governo é presbiteriano, ou seja, exercido por presbíteros (anciãos, Homens) e diáconos (Homens), conforme a prática apostólica (At 20.17,28; Fp 1.1; 1Tm 3).
  • Há dois tipos de presbíteros:
    • Regentes – governam e cuidam do rebanho.
    • Docentes – pregam, ensinam e também governam.
  • A autoridade da Igreja não reside em indivíduos, mas nos concílios de presbíteros, sob a autoridade de Cristo, o único Cabeça.

Os Sacramentos

 

Reconhecemos apenas dois sacramentos, instituídos por Cristo:

  • Batismo
    • Administrado por aspersão ou derramamento (Ez 36.25; At 2.41).
    • Inclui filhos de crentes como sinal da Aliança (Gn 17.7; At 2.39; Cl 2.11–12).
    • Não é garantia de salvação, mas sinal visível da graça e da inclusão pactual.
  • Ceia do Senhor
    • Não é mera recordação, mas verdadeira participação espiritual com Cristo (1Co 10.16).
    • Cristo está espiritualmente presente e alimenta a fé do crente.
    • Deve ser celebrada com reverência, após autoexame (1Co 11.28).

Praticamos a Comunhão Restrita na Ceia

A prática de restringir a participação na Ceia do Senhor apenas aos membores batizados e em plena comunhão de uma igreja que professa a mesma fé reformada e está sob disciplina eclesiástica (uma prática conhecida como Comunhão Fechada ou Restrita) não é uma questão de exclusividade ou elitismo, mas uma aplicação séria e fiel dos princípios bíblicos que regem o Sacramento. Esta posição é fundamentada nas seguintes razões:

A Natureza da Ceia como uma Refeição Pactual (1 Coríntios 10:18-21)

 

O apóstolo Paulo argumenta que participar da mesa do Senhor é uma participação (koinonia) no corpo e no sangue de Cristo. Ele contrasta isso diretamente com a participação na mesa de demônios através dos sacrifícios pagãos. Ele então faz um paralelo com o Israel do Antigo Testamento: “Considerai o Israel segundo a carne; não são aqueles que comem os sacrifícios participantes do altar?” (1 Co 10:18). No Antigo Testamento, apenas aqueles que estavam em aliança com Yahweh—circuncidados e limpos cerimonialmente—podiam comer dos sacrifícios pactuais (e.g., Êxodo 12:43-49). Da mesma forma, a Ceia do Senhor é a refeição da Nova Aliança. Portanto, ela é exclusivamente para aqueles que são membros dessa aliança, que publicamente professaram sua fé em Cristo e se submeteram aos seus termos.

A Ceia como um Ato de Comunhão Eclesiástica (1 Coríntios 10:17)

 

“Porque nós, sendo muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão.” Ao participar de um único pão, os comungantes declaram visível e publicamente que são um único corpo em Cristo. A Ceia é, portanto, o ápice da expressão da unidade da igreja local. Permitir que alguém de fora, ou de uma comunhão que professa uma fé diferente, participe, seria uma declaração falsa. Seria afirmar uma unidade que não existe de fato na doutrina e na prática. A comunhão na mesa pressupõe e afirma a comunhão na fé.

A Exigência de Autoexame e Discernimento (1 Coríntios 11:27-29)

 

A advertência de Paulo é severa: “Portanto, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado do corpo e do sangue do Senhor… Porque o que come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si.” O “discernir o corpo” significa reconhecer o significado espiritual do Sacramento (o corpo partido de Cristo) e também reconhecer a natureza corporativa do ato (o corpo de Cristo, que é a Igreja). Como os oficiais da igreja podem garantir que um visitante ou um não-membro fez um autoexame adequado? Como podem saber se ele discerne corretamente o corpo? A responsabilidade pastoral dos presbíteros é zelar pelo bem-estar espiritual do rebanho e proteger o Sacramento da profanação (Hb 13:17). A prática mais segura e fiel é restringi-lo àqueles sob seu cuidado pastoral, que foram instruídos e examinados quanto à sua compreensão e fé.

A Prática do Disciplina Eclesiástica e a Proteção do Santo

 

A Ceia do Senhor é para pecadores arrependidos, mas não para pecadores impenitentes. A igreja tem a obrigação de exercer disciplina (Mt 18:15-17; 1 Co 5:11-13). Se a mesa fosse aberta a todos, seria impossível exercer essa disciplina. Um membro under discipline (sob disciplina) de outra igreja, ou alguém vivendo em pecado aberto sem arrependimento, poderia vir e participar, comendo e bebendo juízo para si. A comunhão restrita é um ato de amor e proteção, impedindo que alguém participe de forma indigna e sofra as consequências espirituais disso. É também um guardião da pureza da igreja.

O Princípio da Fidelidade Confessional

 

Nossa igreja subscreve os Padrões de Westminster, que afirmam: “Os ignorantíssimos e ímpios… são indignos de se aproximarem desta mesa sagrada e, enquanto permanecerem nesse estado, não podem, sem grande pecado contra Cristo, participar destes santos mistérios, ou ser admitidos à sua celebração” (CFW 29.8). Ser infiel neste ponto é ser infiel à nossa própria confissão de fé, que entendemos ser a mais fiel exposição da doutrina das Escrituras.

Conclusão:

 

A Ceia Restrita não é sobre quem excluímos, mas sobre quem protegemos (o participante de comer juízo para si) e sobre o que protegemos (a santidade do Sacramento, a pureza da igreja e a integridade do testemunho da unidade do corpo de Cristo). É uma aplicação pastoralmente responsável e biblicamente fundamentada da doutrina do Pacto, da natureza da igreja e da seriedade com a qual devemos nos aproximar dos meios de graça. É um chamado à comunhão genuína, baseada na verdade compartilhada e na submissão mútua sob o cuidado de Cristo, o único Cabeça da Igreja.

 

O Modo de Celebrar: Fidelidade ao Modelo Prescrito

 

Além de restringir a participação aos membros do pacto, nossa prática busca ser fiel aos elementos essenciais do Sacramento como instituído por Cristo, evitando acréscimos ou inovações humanas. Isso se reflete em três características distintivas:

Ceiamos sentados à Mesa

 

Não nos reunimos em filas para receber individualmente os elementos, mas nos assentamos juntos, como família, ao redor da mesa.

Fundamento Bíblico e Teológico: Esta prática remonta diretamente à instituição do Sacramento. Cristo e os discípulos estavam reclinados à mesa (Mt 26:20; Jo 13:23). A Ceia foi instituída no contexto de uma refeição (o jantar da Páscoa) e, portanto, a postura natural é a de estar assentado. Isso não é um mero detalhe cultural, mas carregado de significado teológico:

Sinal de Comunhão e Repouso: Assentar-se à mesa é um símbolo universal de comunhão, intimidade e repouso. Representa o repouso espiritual que temos em Cristo, o descanso da nossa própria obra para confiar plenamente na obra consumada dEle (Hb 10:12). É um antegozo do “Grande Banquete” no Reino dos Céus (Lc 14:15), onde nos assentaremos com Abraão, Isaque e Jacó.

Ênfase na Comunidade: A postura sentada enfatiza que a Ceia é uma refeição corporativa da família de Deus, e não uma experiência individualista. Visualmente e praticamente, demonstramos que somos um só corpo, partilhando juntos da mesma graça.

Utilizamos Pão Comum

 

O elemento utilizado é pão comum, assado e partido, e não hóstias ou waferes individuais.

Fundamento Bíblico e Teológico: O texto sagrado relata que “Jesus tomou o pão” (Mt 26:26), o pão da refeição que estavam compartilhando. O uso de pão comum preserva o simbolismo original ordenado por Cristo:

Unidade do Corpo: O apóstolo Paulo faz uma conexão direta: “O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Pois nós, sendo muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos daquele único pão” (1 Co 10:16b-17). Um único pão, partido e repartido, é um símbolo poderoso da unidade dos muitos crentes em um só corpo em Cristo.

Contraste com o Romanismo: O uso de hóstias brancas, redondas e insípidas é uma inovação medieval que, intencionalmente ou não, distancia o símbolo do seu significado bíblico e se alinha com a doutrina não-bíblica da transubstanciação. O pão comum, pelo contrário, afirma que é um sinal visível de uma realidade espiritual, e não uma transformação física da substância.

Usamos o Cálice Único

Todos os comungantes bebem do mesmo cálice (cálice comum) ou de cálices que foram cheios de um único recipiente principal antes do culto.

Fundamento Bíblico e Teológico: As Escrituras registram que Jesus tomou “o cálice” (Mt 26:27), um único recipiente, e deu aos discípulos, dizendo “bebei dele todos”. A prática do cálice único é, portanto, a mais fiel ao mandamento de Cristo.

Símbolo da Nova Aliança: O cálice representa “a nova aliança no meu sangue” (1 Co 11:25). Um único cálice fortalece o simbolismo de que há uma única aliança, da qual todos os crentes participam igualmente. Cálices individuais (pequenas taças) fragmentam este símbolo poderoso da unidade da aliança.

Testemunho de Fé: O uso do cálice único é também um testemunho de fé na providência e proteção de Deus, rejeitando temores higiênicos excessivos que poderiam impedir a obediência ao modelo claro instituído por Cristo. A igreja historicamente sempre usou o cálice único, e Deus guardou o seu povo.

Conclusão:

A forma como celebramos a Ceia do Senhor, sentados como família, partindo um único pão e compartilhando um único cálice, não é uma preferência litúrgica arbitrária. É uma tentativa consciente e deliberada de ser o mais fiel possível ao modelo simples, solene e profundamente simbólico instituído por nosso Senhor Jesus Cristo. Cada elemento foi escolhido para proclamar visualmente as verdades do evangelho: nossa unidade em Cristo, nosso repouso em Sua obra consumada e nossa participação comum na única e eterna Aliança da Graça, selada com o Seu próprio sangue.

 

O Culto

 

Seguimos o Princípio Regulador do Culto: só fazemos no culto aquilo que Deus ordenou em sua Palavra (Dt 12.32; Jo 4.24).

O que é o Princípio Regulador do Culto (PRC)

 

A adoração é o momento mais solene da vida da Igreja. É quando o povo de Deus se reúne, como corpo de Cristo, para oferecer louvor e receber a Palavra e os meios de graça. A grande questão sempre foi: como devemos cultuar a Deus?

Existem duas respostas históricas dentro do cristianismo:

  1. Princípio Normativo – podemos fazer no culto tudo o que não for explicitamente proibido pela Escritura.
  2. Princípio Regulador do Culto (PRC) – devemos fazer somente o que Deus ordenou claramente em sua Palavra.

A IPCR, como herdeira da tradição reformada e covenanter, segue firmemente o Princípio Regulador do Culto.

Esse princípio está fundamentado na própria natureza de Deus e em sua revelação. O Senhor é o único que tem autoridade sobre como deve ser adorado. Ele não deixa a adoração ao gosto humano, nem ao pragmatismo da cultura. A adoração verdadeira é sempre obedecer à voz de Deus.

 

Fundamento Bíblico do PRC

 

  • Deuteronômio 12.32: “Tudo o que eu vos ordeno, observareis; nada lhe acrescentareis nem diminuireis.”
  • Levítico 10.1–3: Nadabe e Abiú ofereceram fogo estranho perante o Senhor, “o que Ele não lhes ordenara”, e foram consumidos em juízo. Aqui aprendemos que adorar fora do que Deus ordena é pecado grave.
  • Êxodo 20.4–6: O segundo mandamento proíbe fabricar imagens para o culto. O Senhor não deve ser adorado segundo a imaginação dos homens, mas conforme sua própria Palavra.
  • João 4.24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” Isso significa culto conforme a Palavra (verdade) e com coração sincero (espírito).
  • Colossenses 2.23: Paulo condena o “culto voluntário” (ethelothrēskia), que é a adoração inventada pela vontade humana.

Portanto, o ensino bíblico é claro: Deus regula a sua adoração. Não cabe ao homem inventar, mas obedecer.

O que o PRC implica

 

Seguindo esse princípio, a Igreja reconhece que só os elementos instituídos por Cristo pertencem ao culto público. Eles são:

  1. Leitura pública da Escritura (1Tm 4.13).
  2. Pregação fiel da Palavra (2Tm 4.1–2).
  3. Oração pública em nome de Cristo (At 2.42; 1Tm 2.1).
  4. Cânticos de salmos – o Saltério inspirado é o hinário da Igreja (Cl 3.16; Ef 5.19).
  5. Administração dos sacramentos: Batismo e Ceia do Senhor (Mt 28.19; 1Co 11.23–26).
  6. Ofertas voluntárias para o sustento do culto e dos necessitados (1Co 16.1–2).
  7. Bênção apostólica como encerramento (Nm 6.24–26; 2Co 13.13).

Nada além disso é ordenado por Deus.

Rejeição das inovações humanas

 

Os reformadores e covenanters sempre denunciaram as inovações humanas como “fogo estranho” no culto. Isso inclui:

  • Imagens e ídolos.
  • Invenções litúrgicas sem base bíblica.
  • Instrumentos musicais no culto público, abolidos no Novo Testamento.
  • Teatro, dança, coreografias, ou qualquer elemento de entretenimento.
  • Festas religiosas não ordenadas (como Natal e Páscoa em calendário litúrgico).

Essas práticas podem parecer piedosas, mas na verdade são expressões de vontade própria. O verdadeiro amor a Deus se mostra na obediência: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15).

 

O Culto como Encontro Pactual

 

Na perspectiva pactual, o culto não é apenas uma reunião comunitária. É o encontro entre o Deus da Aliança e o seu povo. O Senhor convoca, fala e abençoa; o povo responde em fé, louvor e obediência.

A estrutura básica do culto reformado é pactuante:

  • Deus chama o seu povo (invocação).
  • O povo responde em oração e cântico.
  • Deus fala na leitura e pregação da Palavra.
  • O povo responde com fé e confissão.
  • Deus sela a comunhão por meio dos sacramentos.
  • Deus despede o povo com sua bênção.
  •  

Esse diálogo santo mostra que o culto não é feito para nós, mas para Deus. É Ele quem regula como deve ser adorado.

Assim, nossos cultos incluem: leitura e pregação da Palavra, oração, cântico de salmos, administração dos sacramentos e bênção apostólica.

Rejeitamos inovações humanas, pois cremos que a verdadeira adoração é obedecer.

Por que Cantamos Apenas Salmos e Sem Instrumentos

Cantar apenas aquilo que Deus ordenou

 

Seguindo o Princípio Regulador do Culto, cremos que a adoração deve conter somente os elementos que Deus ordena em Sua Palavra (Dt 12.32). Isso vale especialmente para o cântico da Igreja. Não podemos cantar “qualquer coisa que fale de Deus”, mas somente aquilo que o próprio Senhor nos deu como hinário inspirado: o Saltério.

  • Colossenses 3.16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais.”
  • Efésios 5.19: “Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.”

A interpretação reformada histórica entende que “salmos, hinos e cânticos espirituais” se referem às diferentes divisões do Saltério hebraico, não a composições humanas posteriores.

João Calvino escreveu: “Quando cantamos, não devemos usar palavras de nossa própria invenção, mas aquelas que o Espírito Santo nos deu nos Salmos.”

O Saltério como hinário inspirado

 

O Livro dos Salmos é o único hinário inspirado, dado por Deus para o seu povo em todas as épocas. Ele contém a plenitude da experiência cristã: alegria, dor, arrependimento, louvor, esperança, lamento e triunfo.

  • Jesus cantou os salmos (Mt 26.30).
  • A Igreja apostólica cantava salmos (1Co 14.26).
  • Os reformadores restauraram o canto exclusivo dos salmos como prática do culto.

O Saltério, portanto, é suficiente, porque contém toda a Palavra de Cristo em forma de cântico. Quando cantamos salmos, estamos colocando nos nossos lábios a própria Palavra de Deus, não as palavras falíveis dos homens.

 

A rejeição dos cânticos humanos no culto

 

Cânticos compostos por homens podem ser bons como meditação pessoal ou edificação privada, mas não possuem autoridade divina para serem usados no culto público.

  • Paulo condena o “culto voluntário” (Cl 2.23), ou seja, invenções humanas na adoração.
  • Nadabe e Abiú foram mortos porque ofereceram fogo estranho “que o Senhor não ordenara” (Lv 10.1–2).
  • O segundo mandamento proíbe criar qualquer forma de culto baseada na imaginação humana (Êx 20.4–6).

Assim, introduzir cânticos humanos no culto é substituir a Palavra de Deus pela palavra do homem, uma forma de idolatria sutil.

 

O uso de instrumentos musicais

 

Outra marca da nossa adoração é o canto sem instrumentos musicais. Por quê?

  1. Os instrumentos pertenciam ao culto cerimonial do Antigo Testamento.
    • Eram ligados ao templo, aos sacrifícios e ao sacerdócio levítico (2Cr 29.25–28).
    • Assim como os sacrifícios e o sacerdócio levítico cessaram em Cristo (Hb 10.1–14), os instrumentos também cessaram.
  1. O Novo Testamento não ordena instrumentos.
    • O culto apostólico é caracterizado pelo canto vocal, “de coração” (Ef 5.19).
    • A ênfase está na Palavra e na fé, não em música cerimonial.
  2. A Igreja primitiva e os reformadores rejeitaram instrumentos.
    • Os primeiros cristãos cantavam salmos a capela.
    • Para João Calvino, Os instrumentos musicais não devem ser usados na adoração; o canto deve ser puro e simples, vindo do coração.
    • Os puritanos e covenanters escoceses também preservaram o cântico exclusivo dos salmos sem instrumentos.
  3. Os instrumentos distraem do conteúdo da Palavra.
    • O culto deve ser centrado na verdade da Escritura, não em performance musical.
    • A adoração é espiritual, não sensorial (Jo 4.24).

 

O valor espiritual do canto de salmos

 

Cantar apenas salmos e sem instrumentos não é uma restrição, mas um privilégio espiritual:

  • Preserva a pureza da adoração, sem invenções humanas.
  • Une a Igreja a todas as gerações dos santos que cantaram o mesmo Saltério.
  • Coloca a Palavra de Cristo em nossos lábios e corações.
  • Nos dá linguagem bíblica para expressar todas as dimensões da vida diante de Deus.

Conclusão

 

Cantamos apenas salmos e sem instrumentos porque cremos que a adoração deve ser segundo a Palavra de Deus, e não segundo a imaginação dos homens.

Assim, obedecemos ao Princípio Regulador, honramos a herança reformada e nos unimos ao cântico da Igreja em todas as eras: o Saltério inspirado, entoado com o coração, como sacrifício de louvor ao nosso Rei e Salvador.

“Habite ricamente em vós a palavra de Cristo, instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vosso coração.” (Cl 3.16)

O Papel da Igreja no Culto: Unidade, Reverência e Ordem Pactual

 

Em consonância com nossa compreensão da Igreja como um corpo orgânico e uma comunidade pactual, nossa prática no culto público reflete os princípios bíblicos de ordem, reverência e unidade. Rejeitamos qualquer modelo que segmente o corpo de Cristo com base em idade, gênero ou preferência, pois o culto é a assembleia solene de todo o povo da aliança diante do seu Deus.

 

A Unidade do Corpo no Culto Pactual

O culto não é uma atividade segmentada, mas o encontro corporativo da família de Deus. Portanto: Crianças Permanentes no Culto: As crianças, como herdeiras do pacto e portadoras do sinal do batismo, são membros integrantes da igreja visível. Elas não são dispensadas para cultos infantis paralelos. Cremos que é da vontade de Deus que elas permaneçam com seus pais, ouvindo a Palavra lida e pregada, observando a administração dos sacramentos e, gradualmente, participando dos cânticos e orações. Dessa forma, aprendem a adorar a Deus “no mesmo espírito e na mesma fé” com a congregação, sendo discipuladas pela experiência solene e ordenada do culto público (Ef 6.1-4; Dt 31.12-13; Jl 2.16).

Não Há “Oportunidades” ou Testemunhos Leigos: O culto público é governado pelo Princípio Regulador e conduzido pelos oficiais ordenados por Deus (presbíteros). Por isso, não abrimos espaço para “oportunidades”, testemunhos pessoais, apresentações ou pregações por leigos. A fala no culto é restrita à leitura e pregação da Palavra (feita pelo presbítero docente) e às orações lideradas pelos presbíteros. Isso protege o culto de subjetivismos, emotivismos e de qualquer coisa que não seja a pura ministração dos meios de graça ordenados por Cristo através de seus oficiais.

Não Há Grupos Femininos ou Ministérios Segmentados no Culto: O culto é a assembleia de todo o povo de Deus. Não possuímos grupos específicos para mulheres, jovens ou homens durante o serviço solene. Essa segmentação quebra a unidade visível do corpo e introduz elementos não ordenados. Nossa prática está alinhada com o ensino paulino de que, no culto público, a liderança é exercida por homens ordenados (presbíteros), e as mulheres, assim como todos os demais membros não-ordenados, participam com reverência e silêncio piedoso, aprendendo e adorando em submissão à ordem estabelecida por Deus (1Co 14.33b-35; 1Tm 2.11-12). Esta não é uma questão de capacidade, mas de ordem e papel designados por Deus na esfera pública da adoração.

A Autoridade e a Condução do Culto

A regra de ouro é: Cristo governa seu culto através de seus oficiais ordenados.

Os presbíteros (docentes e regentes) são os responsáveis por conduzir todo o serviço, garantindo que cada elemento seja executado “com decência e ordem” (1Co 14.40), conforme a Palavra de Deus.

A congregação participa ativamente, não falando ou agindo por iniciativa própria, mas respondendo corporativamente: cantando os salmos juntos, ouvindo a Palavra com atenção, orando em silêncio durante as orações públicas e recebendo os sacramentos com fé.

Em resumo, nosso culto busca refletir a seriedade do encontro pactual. É uma assembleia ordenada, reverente e centrada em Deus, onde toda a família da aliança, de todas as idades, se reúne como um só corpo sob a autoridade de Cristo, ministrada por seus servos ordenados, para ouvir a Sua voz e responder com obediência e louvor puro.

Papéis de Gênero no Culto: Ordem e Cabeçalho

 

A restrição da fala pública e da liderança no culto a homens ordenados (presbíteros) é uma aplicação estrita de passagens como 1 Coríntios 14:33b-35 e 1 Timóteo 2:11-12, interpretadas à luz do Princípio do Cabeçalho (1 Cor 11:3).

Os Covenanters e os presbiterianos reformados históricos nunca permitiram que mulheres liderassem orações, lessem as Escrituras ou pregassem no culto público. A ideia de “grupos femininos” conduzindo partes do culto seria entendida como uma violação direta da ordem criada por Deus para a igreja e uma concessão perigosa ao espírito da época.

É crucial distinguir: a tradição reformada sempre valorizou enormemente o papel das mulheres na igreja (e.g., Provérbios 31, Atos 9:36, 18:26 – Priscila ensinando em particular a Apolo). No entanto, a esfera do culto público solene é governada por regras específicas de ordem e ofício, reservadas aos homens qualificados e ordenados.

Governo e Autoridade: Contra o Individualismo

 

A rejeição de “oportunidades” e a centralidade dos oficiais ordenados é uma defesa do governo presbiteriano colegiado. O culto não é uma arena para expressão individual, mas o ministério oficial de Cristo através de seus embaixadores ordenados.

Os Covenanters lutaram ferozmente contra o Erastianismo (o controle do estado sobre a igreja) e o Prelatismo (o governo por bispos individuais). A defesa do governo por presbíteros era também uma defesa de que a adoração deve ser conduzida por esses mesmos presbíteros, e não por qualquer pessoa que se sinta “conduzida”. Isso protege a igreja do subjectivismo, do emocionalismo e da doutrina não examinada.

Conclusão:

A postura descrita não é apenas “permitida” pela teologia reformada e covenanter; ela é inerente e essencial a ela. A IPCR, ao se declarar herdeira dos Covenanters escoceses, assume conscientemente essa prática distintiva.

Enquanto muitas denominações presbiterianas modernas adotaram o “Princípio Normativo” (podemos fazer tudo o que a Bíblia não proíbe explicitamente) e se tornaram pragmaticamente semelhantes a igrejas evangélicas não reformadas, a IPCR mantém a posição histórica reformada e covenanter: o Princípio Regulador (só podemos fazer o que a Bíblia ordena explicitamente).

 

Escatologia

 

  • Nossa visão é pós-milenista historicista:
    • O Reino de Cristo já está presente e avança na história (Mt 13.31–33).
    • O evangelho triunfará sobre as nações, levando a períodos de paz e justiça sob o senhorio de Cristo (Sl 72; Ap 20.4).
    • O fim virá com a ressurreição geral, o juízo final e a vida eterna.
  • Não esperamos uma retirada da Igreja, mas sua vitória histórica pela Palavra e pelo Espírito.

Ética

  • Nossa ética é fundamentada na Lei de Deus, especialmente no Decálogo (Êx 20; Mt 5.17–19).
  • A Lei continua válida como norma de vida para o crente:
    • Revela o caráter de Deus.
    • Conduz à santificação.
    • Orienta a sociedade.
  • O cristão deve viver de forma santa em todas as áreas: família, trabalho, política e cultura.

Apologética

 

  • Nossa defesa da fé é pressuposicional e escrituralista: toda argumentação parte da autoridade da Escritura como fundamento inegociável.
  • Não concedemos neutralidade à razão autônoma, mas proclamamos que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 1.7).

Política

 

  • Seguimos o Establishment Principle, herdado dos Covenanters:
    • Cristo é Rei não apenas da Igreja, mas também das nações (Sl 2; Cl 1.16–18).
    • As autoridades civis devem reconhecer a lei de Deus como norma para a sociedade.
    • Estado e Igreja têm esferas distintas, mas ambas devem se submeter a Cristo.
  • Assim, rejeitamos tanto o secularismo ateu quanto o absolutismo estatal. O governo civil é servo de Deus para o bem (Rm 13.1–4).

Em   resumo:

Nossa fé é bíblica, reformada, confessional, pactuante e presbiteriana. Submetemo-nos à Palavra, confessamos os símbolos históricos da fé reformada e vivemos sob a coroa de Cristo, nosso único Rei e Cabeça.

4. Nosso Compromisso

 

Nosso compromisso não é uma mera lista de boas intenções, mas um juramento solene diante de Deus, moldado pela Escritura e pelo legado dos santos que nos precederam. É a expressão prática de nossa identidade como herdeiros da Reforma e do Pacto.

 

Glorificar a Deus em Todas as Coisas (1 Coríntios 10:31)

 

Este é o princípio abrangente que rege toda a nossa vida. Para nós, reformados, a glorificação de Deus vai além do culto dominical; é um princípio integral que abarca toda a existência.

Na Vida Pessoal: Buscamos a santificação em todos os aspectos, reconhecendo que nosso corpo, nossos talentos, nosso tempo e nossos recursos pertencem a Deus e devem ser usados para a Sua honra. Isso inclui nossa ética no trabalho, nossa conduta nos relacionamentos e nossa integridade pessoal.

Na Vida Familiar: As famílias são pequenas “igrejas domésticas” onde Deus deve ser soberano. Implementamos o culto familiar diário, onde o pai, como sacerdote do lar, lidera a leitura das Escrituras, a oração e o canto de salmos. Esta é uma marca distintiva da piedade reformada histórica.

Na Sociedade: Cremos que não há esfera “neutra” da vida. Nosso engajamento na cultura, na política, na arte e na educação deve ser feito de forma consciente para manifestar o senhorio de Cristo e promover a justiça e a retidão de Seu reino.

Viver em Fidelidade ao Pacto da Graça

 

Nossa vida é entendida através da lente da aliança. Não somos indivíduos isolados, mas parte de um povo pactuado com Deus.

Responsabilidade Pactual: O pacto traz promessas, mas também obrigações. Comprometemo-nos a andar nos termos da aliança: obediência à Lei de Deus como norma de vida (não como meio de salvação, mas de gratidão) e fé em Cristo, o Mediador da Nova Aliança.

Discipulado Pactual: Cremos que as promessas de Deus se estendem aos nossos filhos. Portanto, somos comprometidos com a educação e instrução de nossa descendência “no caminho do Senhor” (Ef 6:4), criando-os na doutrina e admoestação reformadas, confiando que o batismo é o sinal e selo dessa realidade pactual.

Comunidade Pactual: Nos apoiamos mutuamente, exortamos, corrigimos e suportamos as cargas uns dos outros, vivendo o “liga solene” de uns com os outros, refletindo o amor e a fidelidade do Deus da aliança.

Guardar o Dia do Senhor (Êxodo 20:8-11)

Para nós, o Sabbath (Domingo) não é uma sugestão, mas um mandamento moral e perpétuo, uma ordenança da criação reafirmada na lei. É um dos pilares visíveis da vida reformada.

A doutrina do Dia do Senhor, comumente referido como o Sabbath Cristão ou o Domingo, é um dos pilares distintivos e não negociáveis da fé reformada histórica e confessional. Sua guarda não é uma mera sugestão piedosa ou uma tradição cultural, mas um mandamento moral e perpétuo, fundamentado na própria natureza de Deus, na obra da criação e redenção, e explicitamente ordenado na Lei Divina. Sua prática é um termômetro da saúde espiritual de um indivíduo e de uma comunidade cristã.

Fundamento na Criação e no Caráter de Deus (Gênese 2:2-3; Êxodo 20:8-11)

 

O quarto mandamento do Decálogo não começa com “Lembra-te de decretar o Sabbath”, mas “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar” (Êx 20:8). A linguagem pressupõe uma instituição pré-existente, que remonta ao ato fundacional da história humana: a própria criação.

Ordenança da Criação: Após seis dias de trabalho criativo, Deus descansou no sétimo dia, abençoou esse dia e o santificou (Gn 2:2-3). Este ato não foi por cansaço, mas para estabelecer um padrão para a humanidade, criada à Sua imagem. O ciclo de seis dias de trabalho e um de descanso foi inserido na estrutura da própria criação, assim como o matrimônio. Portanto, o princípio do Sabbath é primeiro creacional e moral, antes de ser cerimonial ou judicial. É um mandamento para toda a humanidade, não apenas para Israel.

Mandamento Moral no Decálogo: Os Dez Mandamentos são a transcrição da lei moral eterna de Deus. Enquanto as leis cerimoniais (sobre sacrifícios, alimentares) foram cumpridas em Cristo, e as judiciais (penalidades civis) eram específicas à teocracia de Israel, a lei moral (os Dez Mandamentos) permanece como a expressão imutável do caráter santo de Deus. O quarto mandamento está eternamente gravado nessa lei, com a mesma autoridade dos mandamentos que proíbem o assassinato, o adultério ou a idolatria. Afirmar que o Sabbath foi abolido é colocar um pé na escorregadia lógica do antinomianismo.

A Transição do Sétimo para o Primeiro Dia: A Consumação em Cristo

 

Uma objeção comum é: “Por que guardamos o domingo e não o sábado?” A resposta reside na obra redentora de Cristo, que transferiu o Sabbath do último dia da semana para o primeiro, sem alterar o princípio moral do descanso de um em cada sete dias.

O Dia da Nova Criação: O sétimo dia comemorava a conclusão da criação física. O primeiro dia da semana (o Domingo) comemora um evento infinitamente maior: a ressurreição de Cristo (Mt 28:1), que é as primícias da Nova Criação (1 Co 15:20, 23). Ao ressuscitar no primeiro dia, Cristo não quebrou o Sabbath, mas o cumpriu e o transformou, inaugurando o descanso escatológico definitivo (Hb 4:9-10).

Evidência no Novo Testamento: O padrão de adoração da Igreja primitiva mudou claramente para o primeiro dia, chamado de “o dia do Senhor” (Ap 1:10).

Cristo ressuscitou no primeiro dia (Jo 20:1).

Apareceu aos discípulos no primeiro dia (Jo 20:19) e oito dias depois (outro primeiro dia) (Jo 20:26).

O Espírito Santo foi derramado no Pentecostes, que ocorreu em um domingo (o quinquagésimo dia após o Sabbath pascal).

A igreja se reunia para partir o pão (celebrar a Ceia) “no primeiro dia da semana” (At 20:7).

As coletas eram feitas “no primeiro dia da semana” (1 Co 16:2).

Este novo padrão apostólico não era uma sugestão, mas a prática normativa da Igreja guiada pelo Espírito, ratificando a transferência do dia de descanso e adoração para o Dia do Senhor.

A Prática da Guarda Solene: Descanso Sagrado e Dedicação Piedosa

 

A guarda do Dia do Senhor é um “descanso sagrado”. Esta definição vai muito além de simplesmente “não trabalhar” (os que podem). É uma libertação positiva das ocupações terrenas para uma imersão deliberada nas realidades celestiais.

É aconselhável a abstenção (Negação): Cessação de todo trabalho secular na medida do possível. Isso inclui trabalho remunerado, compras, tarefas domésticas não essenciais e afazeres comerciais, salvos em caso de empregos que necessitam destas atividades como policiais, médicos e etc. Espera-se equilíbrio do cristão neste dia do Senhor. Como afirmou o teólogo puritano Thomas Watson: “O Sabbath foi feito para ser um dia de mercado para a alma”.

A Dedicação (A Afirmação): O dia todo deve ser consagrado (dentro do possível) às atividades que nutrem a alma e promovem o reino de Deus.

Culto Público: A participação nos cultos da manhã e da noite é o ápice do dia. É o encontro pactual onde Deus fala ao seu povo pela Palavra pregada, e o povo responde em oração e cântico.

Culto Privado e Familiar: O tempo entre e após os cultos é para leitura devocional profunda, meditação sistemática nas Escrituras, oração familiar e particular, canto de salmos e instrução catequética das crianças.

Entendemos que nos horários dos cultos da manhã e da noite são invioláveis pois é o dia do Senhor e nestes horários, é inadimissível que um cristão falte ou chegue atrasado. No período restante do dia, mesmo que fique em família, lembre-se que em algum momento do dia, haverá outro culto Solene.

Obras de Necessidade e Misericórdia: Seguindo o exemplo de Cristo (Mt 12:1-14), obras de genuína necessidade (cuidar de animais, extingir um incêndio) e de misericórdia (visitar doentes, confortar aflitos, alimentar famintos) não apenas são permitidas, mas são uma forma sublime de adoração no Dia do Senhor.

O Erro da Negligência e da Preguiça: Um Coração que Despreza o Mandamento

 

A postura de quem trata o Domingo como um fim de semana comum, um dia para “recarregar as energias” físicas sem se importar com as espirituais, é diametralmente oposta à ordem bíblica.

Êxodo 31:14-15: “Guardareis o sábado, porque é santo para vós; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo. Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso solene, santo ao SENHOR.”

A linguagem aqui é drasticamente severa. “Profanar” significa tratar algo santo como se fosse comum. Deus não diz “aquele que trabalhar será repreendido”, mas “será eliminado”. Isso demonstra o altíssimo valor que Deus atribui à santidade deste dia. Dormir até tarde para compensar a noite de lazer do sábado, ou escolher o descanso físico sobre o espiritual, é profanar o que Deus santificou.

Jeremias 17:21-22, 27: “Assim diz o SENHOR: Guardai-vos a vós mesmos, e não tragais cargas no dia de sábado, nem as introduzais pelas portas de Jerusalém; nem tireis cargas de vossas casas no dia de sábado, nem façais trabalho algum; antes, santificai o dia de sábado… Mas, se não me ouvirdes para santificardes o dia de sábado… acenderei fogo nas suas portas, e consumirá os palácios de Jerusalém, e não se apagará.”

A negligência em santificar o dia é equiparada aqui à desobediência direta e voluntariosa. A consequência é o julgamento divino. A preguiça que nos faz ficar em casa é uma “carga” que estamos carregando – a carga da desobediência e da indiferença.

Provérbios 21:25: “O desejo do preguiçoso o mata, porque as suas mãos recusam-se a trabalhar.”

Embora se refira ao trabalho, o princípio se aplica: a preguiça espiritual é letal. O desejo de “descansar” no sentido mundano, no dia designado para o descanso santo, mata a alma, porque as “mãos” (a vontade) se recusam a trabalhar no verdadeiro descanso que é a comunhão com Deus.

 

O Atraso no Culto: Desonra e Falta de Temor

 

Chegar atrasado habitualmente ao culto no Dia do Senhor não é um simples problema de gestão de tempo; é uma questão de coração e prioridade.

Eclesiastes 5:1: “Guarda o teu pé, quando entrares na casa de Deus; porque chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois não sabem que fazem mal.”

O texto ordena uma entrada consciente, reverente e pontual na casa de Deus. “Guardar o pé” implica em preparação e cuidado. Chegar atrasado é entrar de forma disruptiva, despreparada e, muitas vezes, sem a solenidade requerida. É um ato que demonstra que outros assuntos (o sono, o café, a conversa em casa) foram priorizados sobre o encontro com o Rei.

Malaquias 1:6-8, 13: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor; se eu sou pai, onde está a minha honra? E se eu sou senhor, onde está o temor de mim? diz o SENHOR dos Exércitos… Quando ofereceis animal cego para sacrificardes, não é mau? E quando ofereceis o coxo ou o doente, não é mau?… Trouxestes o que foi roubado, e o coxo, e o doente; assim trouxestes a oferta. Aceitaria eu isso de vossa mão? diz o SENHOR.”

Esta passagem é um poderosíssimo paralelo. Deus acusa o povo de oferecerem o que tinham de pior e mais fácil (animais defeituosos) enquanto guardavam o melhor para si. Chegar atrasado é oferecer a Deus os restos do nosso tempo. É dar a Ele os minutos que sobraram após termos nos dedicado plenamente ao nosso próprio descanso egoísta. É oferecer um “animal coxo” de nosso tempo e atenção, quando Ele exige e merece o primogênito, o melhor, a primícia de nosso dia.

Hebreus 10:24-25: “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros…”

O hábito de chegar atrasado é uma forma sutil de “abandonar a congregação”. Aquele que chega tarde perde a invocação, os cânticos iniciais de adoração e quebra a unidade do corpo. Ele não está plenamente presente para “considerar” os irmãos desde o início, falhando em cumprir seu papel no estímulo mútuo.

Conclusão: Um Antegozo da Eternidade

 

Guardar o Dia do Senhor não é legalismo; é graça. É um dom semanal de Deus para o seu povo cansado. É um oásis no deserto da labuta mundana, um lembrete semanal de que nosso descanso final não está neste mundo, mas no novo céu e na nova terra. É um antegozo da eternidade, um dia em que, de forma única, podemos desacelerar a correra terrena e saborear, aqui e agora, as delícias da comunhão com o Deus vivo. Abrir mão desta ordenança graciosa é privar a alma de seu sustento semanal necessário, enfraquecer a família e a igreja, e, tragicamente, desprezar um dos meios primários que Deus estabeleceu para a santificação do seu povo. Portanto, guardemos o Dia do Senhor não por obrigação, mas com gozo, gratidão e santa expectativa, como um povo pactuado que anseia pelo Descanso eterno.

Cultuar em Família e em Comunidade

 

Este compromisso une os dois aspectos fundamentais da adoração reformada: o culto familiar e o culto público.

Culto Familiar (Culto Doméstico): Como mencionado, é uma prática não negociável. É o meio principal de discipulado pactual dentro do lar, onde a fé é transmitida diariamente de pais para filhos. Reafirma o pai como líder espiritual designado por Deus.

Culto Público: É o ápice da semana da igreja. Comprometemo-nos a participar fiel e regularmente dos cultos, não por obrigação, mas por reconhecê-lo como o encontro pactual com Deus, onde Ele ministra ao seu povo através dos meios de graça (Palavra, Sacramentos e Oração). Nossa participação é reverente, atenta e corporativa.

 

Defender a Fé Reformada e a Pureza da Adoração

 

Este é um compromisso apologético e confessional. Não somos passivos em nossa fé.

Defesa Doutrinária: Estamos engajados em estudar, compreender e defender as Doutrinas da Graça (Calvinismo), a visão pactual da Escritura e toda a teologia contida em nossos padrões confessionais contra os desvios do liberalismo teológico, do arminianismo, do romanismo e de todas as formas de heresia.

Defesa da Adoração Pura: Lutamos pela pureza do culto, aplicando rigidamente o Princípio Regulador do Culto. Rejeitamos toda inovação humana (instrumentos, hinos não inspirados, dramaturgia, etc.) como “fogo estranho” (Lv 10:1). Defendemos o cântico exclusivo dos Salmos e a simplicidade espiritual do culto neotestamentário como uma questão de obediência, não de preferência.

Seguir o Testemunho dos Covenanters: Cristo é Rei sobre a Igreja e sobre as Nações.

 

Este é o compromisso histórico e político que define nossa militância. Herdamos o lema dos Covenanters: “Cristo para a Coroa!”

Cristo é Rei sobre a Igreja: Rejeitamos qualquer interferência de poderes estatais ou seculares no governo, doutrina ou culto da Igreja. A coroa de Cristo é única e exclusiva. Este foi o motivo pelo qual os covenanters escoceses lutaram e morrerem contra a tirania dos reis Stuart.

Cristo é Rei sobre as Nações: Cremos no Princípio do Estabelecimento. Isso significa que afirmamos que as nações, seus governos e suas leis devem, em sua esfera civil, reconhecer a soberania de Cristo, a supremacia das Escrituras e a lei moral de Deus como base para a legislação e a justiça. Não buscamos uma teocracia eclesiástica, mas um estado que oficialmente reconheça e sirva aos propósitos de Cristo, o Rei dos reis. É um compromisso com a transformação da sociedade pela aplicação pública da fé reformada.

Em resumo, nosso compromisso é um chamado à fidelidade integral: em nossa vida pessoal, em nossa família, em nossa igreja e em nossa nação, para a glória de Deus, conforme a Sua Palavra.

5. Como se Tornar Membro

 

Ingressar na Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada (IPCR) não é um mero ato burocrático ou uma decisão tomada por impulso. É um processo solene de discipulado, examinação e compromisso público, que reflete nossa compreensão séria da membresia eclesiástica como uma aliança sagrada entre o crente, a igreja local e o próprio Cristo, o Cabeça da Igreja.

O caminho para a membresia plena é composto pelas seguintes etapas:

  1. Instrução Bíblica e Catequética

 

O primeiro passo é o conhecimento. Um interessado em se tornar membro é conduzido a um período de instrução formal. Este não é um curso superficial, mas um mergulho profundo nas doutrinas que definem nossa comunhão.

 

Conteúdo: O instruendo estuda as doutrinas centrais da fé cristã reformada, com ênfase especial na Confissão de Fé de Westminster e nos Catecismos Maior e Breve. Ele é ensinado sobre o governo presbiteriano, o Princípio Regulador do Culto, a visão pactual da Escritura e da vida, e a história do testemunho covenanter.

Objetivo: Assegurar que o candidato não apenas conheça, mas compreenda e abrace integralmente a doutrina e a prática da IPCR. A membresia pressupõe plena concordância confessional, e essa instrução é fundamental para que o voto seja feito com consciência e convicção.

  1. Conversa Pastoral (Especialmente para Transferência)

 

Esta etapa é um exame pastoral mais direto e pessoal.

Para Novos Convertidos: Os presbíteros se reúnem com o candidato para ouvir seu testemunho de conversão, avaliar sua compreensão do evangelho e seu desejo de viver uma vida piedosa conforme os padrões de Deus.

Para Pessoas de Outra Igreja (Transferência): Esta conversa é crucial. Os presbíteros buscam entender a trajetória espiritual do indivíduo, suas razões para deixar sua igreja anterior e, o mais importante, avaliar sua concordância com os Termos de Comunhão específicos da IPCR. É verificado se sua fé e prática anteriores estão em harmonia com o que professamos, o candidato a membro deve declarar de forma publica a crença nas doutrinas da IPCR e assegurando que não haja discordância doutrinária fundamental que possa perturbar a unidade e a paz da igreja.

  1. Profissão Pública de Fé (ou Transferência de Carta)

 

Este é o ato público e solene onde o candidato é formalmente recebido pela congregação.

Profissão de Fé: Para quem não é batizado ou vem de uma tradição não reformada, o candidato fará uma profissão pública de fé perante a assembleia. Ele responderá positivamente a perguntas solenes sobre sua fé em Cristo, seu arrependimento dos pecados e seu compromisso de servir a Deus nesta comunhão.

Transferência de Carta: Para membros vindos de outras igrejas presbiterianas reformadas de confissão similar, solicita-se oficialmente uma “carta de transferência”. Este documento atesta que o indivíduo é um membro em plena comunhão e em regular standing em sua igreja anterior, facilitando sua recepção.

  1. Votos de Fidelidade à Palavra e à Confissão & Assinatura dos Termos de Comunhão

 

Este é o coração do processo e o ponto de maior solenidade. Antes de ser recebido, o candidato é publicamente examinado pelo presbitério durante um culto de adoração.

Votos Públicos: Ele é questionado publicamente se:

  • Cremos nas Escrituras como a Palavra de Deus infalível.
  • Abraçamos a doutrina reformada contida na Confissão de Fé e Catecismos de Westminster como fiel exposição da Escritura.
  • Submetemo-nos ao governo presbiteriano e ao culto regulado pela Palavra.
  • Nos comprometemos a viver uma vida piedosa, honrando a Cristo em toda a nossa conduta.

Assinatura dos Termos de Comunhão: Após afirmar publicamente esses votos, o novo membro assina fisicamente o documento “Termos de Comunhão”. Este ato não é uma mera formalidade. É um juramento solene, um pacto diante de Deus e da igreja. Ao assinar, o membro declara:

“Eu… me uno à Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada, comprometendo-me a viver sob esta confissão, para a glória de Deus e o avanço do Seu Reino.”

O Significado dos Termos de Comunhão Assinados

Os Termos de Comunhão são muito mais que um contrato; são a definição constitucional da nossa identidade coletiva. Ao assiná-los, cada membro:

Expressa Unidade Doutrinária: Declara que não há discordância entre sua fé pessoal e o que a igreja professa coletivamente. Isso garante uma comunhão genuína, baseada na mesma verdade.

Assume um Compromisso Solene: Assume um compromisso não apenas com Deus, mas com os irmãos, de viver, defender e propagar essa fé reformada, pactuante e confessional.

Submete-se à Prestação de Contas: Coloca-se sob a supervisão e disciplina eclesiástica, reconhecendo a autoridade dos presbíteros em zelar pela pureza doutrinária e prática da igreja, de acordo com esses mesmos Termos.

Vincula-se à Herança dos Santos: Alinha-se conscientemente com o testemunho histórico dos mártires, reformadores e covenanters que deram suas vidas pelas verdades contidas naquele documento.

Portanto, tornar-se membro da IPCR é um ato de profunda seriedade. É um ingresso em uma comunidade pactuante, que vive e respira sob uma confissão comum, com um propósito comum: glorificar a Deus e defender a coroa de Cristo, seu único Rei e Cabeça.

6. Vida do Membro

 

A membresia na Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada (IPCR) não é um status passivo ou um cartão de associado. É uma vocação ativa e pactuante, que confere gloriosos privilégios e impõe solenes responsabilidades. É um chamado para viver em comunhão, sob cuidado, e em missão, como parte visível do corpo de Cristo na terra.

Privilégios: As Bênçãos da Graça Comunal

 

Deus, em sua bondade, dispensa bênções específicas aos que estão formalmente unidos à sua igreja visível. Estes não são direitos a serem exigidos, mas dons graciosos a serem recebidos com gratidão.

Participação Plena nos Sacramentos: O membro em plena comunhão tem o privilégio de acesso à Mesa do Senhor. Enquanto o batismo é administrado uma vez, a Ceia do Senhor é o banquete contínuo do pacto, onde o crente se alimenta espiritualmente de Cristo pela fé. Este é um meio de graça indispensável para o fortalecimento da fé e a nutrição da alma, negado àqueles que estão fora da comunhão visível da igreja (1 Co 10:16-17; 11:26).

Comunhão Verdadeira dos Santos (Koinonia): O membro é integrado a uma família espiritual, uma comunidade de aliança onde se pratica o “um ao outro” das Escrituras. Esta comunhão vai além do café após o culto; é um compartilhar genuíno de vida, encorajamento, cargas, dons e alegrias (At 2:42; Gl 6:2; 1 Ts 5:11). É o privilégio de pertencer a um corpo onde se é conhecido, amado e cuidado.

Cuidado Pastoral Fiel e Supervisionado: O membro está sob o watchcare (cuidado vigilante) dos presbíteros (pastores e anciãos). Estes homens são ordenados por Deus não para dominar, mas para servir, guiar, alimentar com a sã doutrina e proteger o rebanho dos erros (1 Pe 5:2-3; Hb 13:17). Este cuidado inclui a visitação pastoral, o aconselhamento bíblico, a disciplina amorosa e a orientação espiritual, provendo uma proteção inestimável para a alma.

Deveres: As Obrigações do Pacto

 

A membresia pactuante implica em responsabilidades mútuas. Os deveres não são opcionais; são a resposta de gratidão e obediência à graça recebida.

Oração pela Obra e pelos Irmãos: O membro tem o dever de orar constantemente pela igreja: pela pureza da doutrina, pela fidelidade dos oficiais, pela conversão dos perdidos, e pelas necessidades específicas dos irmãos (Ef 6:18; 1 Ts 5:25). A oração é o suporte vital da vida da igreja.

Vida Santa e Separada do Mundo: O testemunho pessoal é crucial. O membro é chamado a “andar em novidade de vida” (Rm 6:4), abstendo-se de toda aparência do mal (1 Ts 5:22), e buscando ativamente a santificação em todas as áreas (2 Co 7:1). Sua conduta, tanto pública quanto privada, deve “adornar a doutrina de Deus nosso Salvador” (Tt 2:10), mostrando a transformação do evangelho.

Contribuição Generosa e Sistemática: O sustento da obra de Deus é uma responsabilidade de todos os membros. As contribuições (dízimos e ofertas) devem ser feitas de forma voluntária, alegre, generosa e sistemática (1 Co 16:2; 2 Co 9:6-7). Os recursos são para o sustento do ministro, as despesas da igreja local, o auxílio aos necessitados e a propagação do evangelho.

Submissão à Palavra e aos Presbíteros: O membro se submete voluntariamente à autoridade das Escrituras como interpretadas e aplicadas pelos presbíteros ordenados. Isso inclui aceitar a admoestação, o ensino e, quando necessário, a disciplina eclesiástica (Mt 18:15-17; Hb 13:17). A disciplina, longe de ser vingativa, é um ato de amor para restaurar um irmão caído e proteger a pureza da igreja (1 Co 5:6-7).

Chamado: A Vocação Pactuante

Acima de privilégios e deveres, há um chamado abrangente que define a existência do membro.

Viver de Modo Digno da Vocação: O membro é chamado a viver de forma coerente com o evangelho que professa. “Rogo-vos… que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4:1). Isso significa uma vida marcada pela humildade, mansidão, longanimidade e amor (Ef 4:2-3), refletindo o caráter de Cristo em todos os relacionamentos e esferas de atuação.

Como Herdeiros do Pacto: Este é um chamado de identidade e missão. O membro não é um indivíduo isolado, mas um herdeiro de uma promessa que se estende a Abraão e aos covenanters escoceses. Ele é chamado a:

Honrar o Passado: Valorizar e defender o legado doutrinário e o testemunho histórico de fidelidade que recebeu.

Viver o Presente: Aplicar os princípios do pacto em sua família, criando seus filhos no caminho do Senhor, e em sua comunidade, sendo sal da terra e luz do mundo.

Investir no Futuro: Orar e trabalhar para que o Reino de Cristo avance, para que a igreja seja fiel às próximas gerações e para que a coroa de Cristo seja reconhecida não apenas na igreja, mas em todas as nações.

Em resumo, a vida do membro na IPCR é um pacote integral: goza dos privilégios da aliança, cumpre os deveres da aliança e vive o chamado da aliança, tudo para a glória de Deus e a expansão do Seu Reino.

Conclusão: Um Chamado à Fidelidade Pactuante

Carregar consigo este documento é mais do que portar informações; é segurar um convite. Um convite para ingressar em uma comunhão histórica, consciente e deliberadamente fiel às Escrituras e ao evangelho recuperado na Reforma.

A Igreja Presbiteriana de Confissão Reformada não é para todos. É para aqueles que, convencidos pela Palavra de Deus, anseiam por uma fé com profundidade doutrinária, pureza de culto e integridade prática. É para aqueles que não buscam entretenimento, mas encontro com o Deus Santo. Não buscam uma comunidade baseada em preferências pessoais, mas uma irmandade pactuante alicerçada na verdade imutável de Cristo.

Ser membro da IPCR é um privilégio solene. É assumir publicamente o nome de Cristo não apenas como Salvador pessoal, mas como Rei, Rei da sua vida, da sua família, da Sua Igreja e de todas as nações. É unir-se a uma linhagem de fiéis, os apóstolos, os reformadores, os covenanters, que entenderam que o seguimento a Cristo exige tudo de nós.

Se você leu estas páginas e seu coração arde com um desejo por essa fidelidade integral; se você concorda de todo o coração com o que foi exposto e anseia por viver sob o cuidado pastoral fiel e a comunhão genuína de uma igreja que não negocia a verdade, então você encontrou o seu lar.

Este caminho não é fácil. Exige estudo, autoexame, renúncia e um compromisso inabalável. Mas é o caminho da bênção, da paz que excede todo o entendimento e da alegria de saber que você está, com todo o povo de Deus, caminhando “na mesma fé” para a glória do nosso único Rei, Jesus Cristo.

Se é isto que você deseja, venha. Tome a sua cruz e siga-O conosco.

Pela Coroa de Cristo, Pelo Pacto!

NOSSA LITURGIA:

  1. Uma oração de invocação ao Senhor.
  2. Leitura das Escrituras do Antigo Testamento.
  3. Uma oração por perdão.
  4. Um Salmo.
  5. Leitura das Escrituras do Novo Testamento.
  6. Oração pelos aflitos e cura pelos enfermos.
  7. Um Salmo.
  8. Uma oração pela iluminação.
  9. A Lição das Escrituras e o Sermão.
  10. A longa oração e a oração do Senhor.
  11. Um salmo.
  12. Uma Bênção (1 Coríntios ou Números).

 

CEIA DO SENHOR (UMA VEZ AO MÊS)

Um salmo cantado enquanto os elementos eram preparados.

As palavras da instituição.

A exortação.

Sursum corda.

A Consagração.

A fração e entrega.

A Comunhão enquanto a Escritura é lida.

A oração pós-comunhão.

Salmo 103.

A bênção.

 

A LITURGIA

da

IGREJA DA ESCÓCIA

ou

O Livro de Ordem Comum de John Knox

COMO PRESCRITO PELA ASSEMBLEIA GERAL, E USADA PELA IGREJA DA ESCÓCIA DURANTE E DEPOIS DA REFORMA

 

“Nosso Livro de Ordem Comum.” – Primeiro Livro de Disciplina.

 

“Todo ministro deve usar a ordem contida nele, em orações,

casamento e ministração dos sacramentos.”

Ato da Assembleia, 26 de dezembro de 1564.

 

 

A

Ordem e Modo

de Administração da Ceia do Senhor.

 

 

No dia em que a Ceia do Senhor for ministrada, comumente celebrada uma vez ao mês, ou quando a congregação julgar necessário, o ministro deverá usar as seguintes palavras.

 

Vamos lembrar, queridos irmãos, e considerar como Jesus ordenou a nós a sua santa ceia, de acordo com o Apóstolo Paulo nos diz no capítulo onze da Primeira Epístola aos Coríntios, dizendo:

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.

Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.

Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. (1 Coríntios 11.23-29, Almeida Corrigida Fiel)

 

Feito isto, o ministro procederá com a exortação.

 

Queridos irmãos no Senhor, agora que estamos reunidos para celebrar a santa comunhão do corpo e sangue do nosso Salvador Cristo, consideremos as palavras de S. Paulo, que exorta todas as pessoas diligentemente a se examinarem antes que comam daquele pão, e bebam daquele cálice. Pois grande é o benefício, que o coração penitente e cheio de fé viva recebe naquele santo sacramento (pois espiritualmente  comemos a sua carne e bebemos o seu sangue, e habitamos em Cristo, e Cristo em nós, somos um com Cristo e Cristo conosco), portanto, grande é o perigo se recebermos o mesmo indignamente; pois seremos culpados do corpo e sangue de Cristo nosso Salvador; comemos e bebemos para nossa própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor; atrairemos a ira de Deus contra nós, e o provocamos para que nos castigue com inúmeras doenças e tipos de morte.

 

Portanto, em nome e pela autoridade do eterno Deus, e seu filho Jesus Cristo, eu excomungo desta mesa todos os blasfemadores de Deus, todos os idólatras, todos os assassinos, todos os adúlteros, todos que vivem em malícia e inveja, todos os desobedientes de pai e mãe, de príncipes ou magistrados, de pastores e pregadores, todos os ladrões e enganadores do seu próximo, e, finalmente, todos cujas vidas lutam contra a vontade de Deus; exortando-os, que responderão na presença d’Ele que é justo juiz, que não presumam em profanar esta santa mesa.

 

E declaro que não excluam nenhuma pessoa penitente, independente de quão grave sejam seus pecados no passado, e que sentiram em seus corações pesar e verdadeiro arrependimento.

Nem isto é pronunciado contra aqueles que aspiram a uma perfeição maior do que podem alcançar nesta vida atual; porque sentimos em nós mesmos tamanha fragilidade e miséria, que não temos a nossa fé perfeita e constante como deveríamos, podendo as vezes não confiar na bondade de Deus, pela nossa corrupta natureza, e não nos doamos para o serviço de Deus, nem temos o fervente zelo de anunciar sua glória, como requer o nosso dever, sentindo a rebelião em nós mesmos, que temos a necessidade de lutar diariamente contra as cobiças de nossa carne; mesmo assim, vendo que o Senhor agiu em misericórdia conosco, que ele escreveu o seu Evangelho em nossos corações, para que sejamos preservados de cair no desespero e incredulidade; e vendo que ele nos deu o desejo de renunciar nossas próprias paixões, em busca de sua justiça, e guardando os seus mandamentos, estamos certamente assegurados que, aquelas muitas imperfeições em nós não serão usadas contra nós, para que Ele nos considere indignos  de vir à sua mesa espiritual; para o fim de que não nos orgulhemos que somos justos em nós mesmos, mas, pelo contrário, que viemos buscar a nossa vida e perfeição em Jesus Cristo, reconhecendo que éramos merecedores de sermos filhos da ira e condenação.

Consideremos que este sacramento é um singular medicamento a todas as pobres criaturas, uma ajuda confortadora para ajudar as almas fracas; que o nosso Senhor requer outra dignidade do que reconhecer os nossos pecados e imperfeições.

Então, para o fim que sejamos dignos participantes dos seus méritos e benefícios de conforto (que é o verdadeiro comer de sua carne e beber o seu sangue), não deixemos nossas mentes serem perturbadas com estas coisas terrenas e corruptas (que vemos com os nossos olhos e sentimos com nossas mãos), e , erroneamente, buscar Cristo corporalmente presente nelas, como se Cristo estivesse preso no pão e vinho, ou que estes elementos fossem verdadeiramente transformados na substância de sua carne e sangue; mas a única maneira de preparar as nossas almas para receber fortalecimento, alívio e suas substâncias vivificantes, é elevarmos as nossas mentes pela fé acima de todas as coisas terrenas e palpáveis, e que entremos nos céus, que achemos e recebamos a Cristo, onde ele habita com toda certeza, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na incompreensível glória do Pai; que seja todo louvor, honra, e glória, agora e para sempre. Amém.

 

Ao terminar a exortação, o ministro descerá do púlpito, e se assentará à mesa, da mesma forma, todo homem e mulher fará o mesmo, tomando lugares que seja conveniente; então ele toma o pão, dá graças, dizendo as seguintes palavras em efeito:

 

Ó Pai de misericórdia, e Deus consolador, vendo que todas as criaturas reconhecem e confessam a ti como Governador e Senhor, nós, que somos as obras primas de suas mãos para, em todo o tempo, reverenciar e magnificar tua gloriosa Majestade: Primeiramente, tu nos criaste à tua imagem e semelhança; mas acima de tudo têm nos libertado da eterna morte e condenação, que Satanás conduziu a humanidade pelos meios do pecado, da escravidão, nenhum homem ou anjo foi capaz de tornar-nos livres; mas tu, ó Senhor, rico em misericórdia, e infinita bondade, providenciou redenção para estarmos de pé diante do teu mui amado Filho, que de grande amor, se ofereceu para ser feito homem, igual a nós em todas as coisas, contudo, livre de pecado, em seu corpo para receber a punição de nossas transgressões, por sua morte para fazer satisfação a tua justiça, e pela sua ressurreição destruir o autor da morte; e trazer de volta a vida o mundo e toda descendência de Adão que foram, de forma justa, privados.

Ó Senhor, reconhecemos que nenhuma criatura é capaz de compreender o comprimento e largura, a profundidade e a altura do teu excelente amor, que te moveu a mostrar misericórdia onde ninguém merecia, a prometer e dar vida onde a morte obteve a vitória, para receber-nos em tua graça quando não podíamos fazer nada senão rebelar-se contra a tua justiça.

Ó Senhor, a cegueira da nossa natureza corrupta não nos fará compreender o peso destes teus amplos benefícios; todavia, segundo o mandamento de Jesus Cristo, nosso Senhor, apresentamo-nos a esta sua mesa, que deixastes para ser usada em memória de sua morte, até a sua vinda, para declarar e testemunhar perante o mundo, que somente por ele nós recebemos liberdade e vida; que somente por ele somos reconhecidos como teus filhos e herdeiros; que somente por ele temos acesso ao trono da graça; que somente por ele somos levados ao seu reino espiritual para comer e beber em sua mesa, com quem temos nossa conversação atualmente no céu, e por quem nossos corpos serão levantados novamente do pó, e serão colocados com ele na eterna alegria que tu, ó Pai de misericórdia, preparaste para os teus eleitos antes da fundação do mundo.

E diante destes benefícios inestimáveis, nós reconhecemos e confessamos ter recebido da tua graça e misericórdia livremente, pelo teu único Filho amado Jesus Cristo: para o qual, a tua congregação, movida pelo teu Santo Espírito, renderá todas as graças, louvores, e glória, para todo o sempre. Amém.

 

Feito isto, o ministro partirá o pão, e entregará ao povo, que distribuirá e dividirá entre eles mesmos, de acordo com o mandamento do nosso Salvador, do mesmo modo, o cálice. Durante o qual deverá ser lido alguma porção das Escrituras, que fala sobre a morte de Cristo, com o propósito que nossos olhos e sentidos não estejam ocupados somente  com os sinais exteriores  do pão e vinho, que são chamados de palavra visível, mas que nossos corações e mentes estejam inteiramente fixos na contemplação da morte do Senhor, que através deste santo sacramento é representado; e depois deste feito, o ministro dará graças dizendo:

 

MISERICORDIOSO PAI, rendemos a ti todo o louvor, graças  e glória, pois agradou a ti, de tuas grandes misericórdias, conceder a nós, miseráveis pecadores, tão excelente  dom e tesouro, de sermos recebidos na comunhão e companhia do teu querido Filho Jesus Cristo nosso Senhor, que por nós venceu a morte, e deu-nos comida necessária para a vida eterna.

E agora, pedimos-te também, ó Pai celestial, que nos conceda este pedido, para que nunca permitas que sejamos tão cruéis a ponto de esquecer tão grandes benefícios; antes imprima e fixe-os em nossos corações, para que possamos crescer e progredir diariamente mais e mais na verdadeira fé, a qual é manifesta continuamente através de todos os tipos de boas obras; ó Senhor, confirme-nos nestes dias diante dos perigosos e fúria de Satanás, para que possamos permanecer e continuar constantemente na confissão da mesma, para o avanço da tua glória, que és Deus sobre todas as coisas, louvado para sempre. Assim seja. Amém.

 

A liturgia está terminada, o povo cantará o 103º Salmo, ou outro de ação de graças; quando terminado, uma das bênçãos deverá ser dita, então eles devem levantar-se da mesa e partir.

 

Se alguém maravilhar-se com o fato de seguirmos esta liturgia, diferente de qualquer outra, na administração desse sacramento, considere diligentemente que, antes de tudo, renunciamos totalmente o erro dos papistas; em segundo lugar, restauramos ao sacramento a sua própria substância e a Cristo o seu devido lugar; e quanto às palavras da Ceia do Senhor, nós as ensinamos, não porque elas deveriam mudar a substância do pão ou vinho, ou que a repetição delas, com a intenção que o sacramento será um sacrifício (como os papistas falsamente acreditam ), mas elas são lidas e pronunciadas para nos ensinar como se comportar neste momento, e que Cristo testemunhará a nossa fé, por assim dizer, com a sua própria boca, ele ordenou estes sinais para nosso uso espiritual e conforto; portanto, examinai a vós mesmos, de acordo com a ordem de São Paulo, e preparem as vossas mentes, que sejais participantes dignos de tão grandes mistérios; depois, tomando pão, damos graças, repartimos e distribuímos, como Cristo, nosso Salvador, nos ensinou: finalmente, ao término da administração, damos graças novamente, segundo o seu exemplo. De modo que sem sua palavra e garantia não há razão nenhuma para realizar esta ação sagrada. 


NOSSOS PROJETOS DE PEQUENOS GRUPOS 

O que são os nossos Pequenos Grupos?

Os Pequenos Grupos (PG’s) são encontros de cerca de 10 pessoas ou mais que ocorrem nos lares, em um ambiente focado em relacionamentos com uma estrutura informal cujo objetivo é nos possibilitar experimentar relacionamentos em um nível mais profundo, criando um ambiente que permita uma maior intimidade, amadurecimento espiritual, cuidado mútuo e evangelismo.

Entendemos que esses Pequenos Grupos através do crescimento do conhecimento da Palavra de Deus e dos relacionamentos entre os membros, possam que futuramente, venham a se tornarem Igrejas bíblicas com núcleos teológicos, porque acreditamos que uma Igreja bem preparada teologicamente ele vai saber enfrentar as dificuldades que assolam o mundo, influenciado pela cultura da lacração e da pós-modernidade.

Princípios dos PG’s

Acreditamos que existem alguns princípios básicos que os encontros de nossos Pequenos Grupos sejam uma experiência espiritualmente profunda, comunitariamente rica e poderosamente missional:

  1. Foco na prática – O PG tem o propósito de aplicar a Palavra de Deus em nossa vida diária e não discussões de outra natureza.
  1. Foco no outro – Todo membro do PG tem direito a palavra e quando um membro do PG está com a palavra terá a atenção dos demais. O PG é um espaço de compartilhamento, aceitação e cuidado de uns para com os outros, e por isso o que um membro do PG compartilha no encontro é sagrado.
  1. Foco na missão – O PG é um espaço informal e acolhedor e por isso desejamos aprender a explorar todo o seu potencial missional, de maneira a tornar os PG’s uma ponte para apresentar o Evangelho as pessoas. O pregador Batista conhecido como príncipe dos pregadores, Charles Haddon Spurgeon dizia que “todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”. Por isso valorizamos o evangelismo e a expansão do Reino de Deus.
  1. Preparo Teológico Ministerial – Acreditamos que um Pequeno Grupo que saiba realmente quem é Jesus e conheça a sua Palavra, se tornará uma grande ferramenta no combate aos falsos ensinos e heresias que assolam a Igreja brasileira. Não que o membro saia por aí brigando ou se envolvendo em debates infrutíferos que não levam a nada, mas que saiba ter razões da sua fé e responder de forma coerente quando este é indagado.É  nós, daremos todo o suporte Teológico necessário.

Os Pequenos Grupos não são um ministério ou um programa da igreja, mas são a própria igreja reunida em grupos menores com o objetivo de termos mais tempo para ouvirmos uns aos outros, cuidarmos uns dos outros em oração e nos envolvermos na missão de levar o Evangelho as pessoas que ainda não o conhecem. Logo, o PG é a igreja.

Um dos princípios fundamentais do Pequeno Grupo é que estamos ali para compartilhar nossa vida e nossas experiências, falar do que está em nosso coração, aprendermos a Palavra de Deus e por isso evitamos qualquer generalização ou falar sobre os outros ou fazermos do PG um lugar de troca de opiniões, sejam elas teológicas ou políticas.

Nos reunimos para compartilhar nossa vida, nossos sentimentos, nossa história pessoal e nossas lutas e assim sermos edificados pela fala de nosso irmão. Acreditamos que quando compartilhamos nossa vida, estamos abençoando a vida dos nossos irmãos e nossos irmãos estão cuidando de nós pelo ouvir. Esta é a nossa visão para os Pequenos Grupos da nossa comunidade IBETEC.

Propósitos dos PG’s

Nossos Pequenos Grupos são orientados por 3 propósitos principais:

 

  • Conectar-se com Deus e sua Palavra;
  • Conectar relacionamentos íntimos com o outro;
  • Conectar nossos amigos, parentes e vizinhos ao Evangelho por meio do Pequeno Grupo.

Encontre um PG!

Fale conosco: (34) 99954-1610.

[1] A exceção de que quando Deus achar necessário o levantamento desses ofícios extraordinários, ele levantaria. No período da primeira e segunda reforma, tais homens foram levantados. Ler ‘The Scots Worthies of John Howie aqui: https://drive.google.com/file/d/1ZI-x9ZZM_jFXt_csAyCYutw_Wd0blhx3/view?usp=drive_link